Cepea: comercialização de milho em abril nas principais praças acompanhadas esteve em ritmo lento



Os preços de milho voltaram a recuar no mercado interno em boa parte de abril, após terem registrado recorde em março. As cotações foram pressionadas pela baixa demanda interna. A comercialização de milho nas principais praças acompanhadas pelo Cepea esteve em ritmo lento, influenciada pelas incertezas relacionadas à pandemia de coronavírus e pelas preocupações econômicas, cenário que influenciou na redução na liquidez no mercado de carnes, importante consumidor de milho.

Esse contexto só foi alterado na última semana do mês, quando as preocupações com o clima voltaram ao radar de agentes. Em abril, apenas chuvas pontuais foram registradas no CentroOeste, segundo o Cptec. No Sul do País, as precipitações estão irregulares e não aliviaram a situação das lavouras, que precisam de mais umidade neste estágio de desenvolvimento. Por enquanto, os órgãos oficiais apontam segunda safra recorde, mas as estimativas ainda podem ser reajustadas em decorrência do atual cenário de clima desfavorável – a Conab indica colheita de 75,43 milhões de toneladas do cereal na segunda temporada.

Apesar da recuperação no final de abril, no acumulado do mês, as cotações ainda apresentaram forte baixa. Nas médias das regiões acompanhadas pelo Cepea, as negociações de balcão (preço pago ao produtor) acumularam queda de 10,6% e no disponível (negociações entre empresas), de 12,3%. Especificamente na região consumidora de Campinas (SP), o Indicador ESALQ/BM&FBovespa caiu 19,6% no acumulado de março (entre 31 de março e 30 de abril), fechando a R$ 48,35 saca de 60 quilos na quinta-feira, 30.

A média do Indicador, de R$ 52,92/sc, mantém os patamares elevados em 2020, sendo menor apenas que a média de março/20. Na B3, as quedas nos preços ocorreram em menor intensidade, ainda influenciadas pela perspectiva de maior oferta da segunda safra e por incertezas quanto à demanda nos próximos meses. Assim, os contratos Mai/20 e Jul/20 se desvalorizaram 6,8% e 3,5% no acumulado do mês, fechando a R$ 47,23 e R$ 44,96/sc de 60 kg, respectivamente.

EXPORTAÇÃO – A comercialização não esteve calma apenas no mercado interno. O ritmo de negócios para exportação também apresentou ritmo lento em abril. A prioridade foi para os embarques de soja. Além disso, mesmo com a desvalorização do grão, os preços no interior do País ainda estão mais atrativos do que nos portos. A diferença entre o Indicador ESALQ/BM&FBovespa e as cotações em Paranaguá caiu de 14 Reais/sc em março para 9 Reais/sc em abril. Por outro lado, o avanço do dólar frente ao Real elevou o interesse pelo produto para o segundo semestre. A indicação de preços para agosto e setembro passou de R$ 43,00/sc em março para R$ 44,00/sc em abril, chegando, em alguns casos, em R$ 48,00/sc.

MERCADO INTERNACIONAL – As cotações no front externo também estiveram enfraquecidas em abril. Os principais fatores para a queda estão relacionados às preocupações com a demanda pelo cereal em meio ao avanço da pandemia do coronavírus nos Estados Unidos. Com a menor demanda por etanol neste país, produtores se preocupam com as negociações do cereal, uma vez que um terço da produção de milho é destinado para produzir etanol. Além disso, neste ano o clima tem colaborado com o avanço do plantio.

O ritmo de semeio nos Estados Unidos superou, no final de abril, a média dos últimos anos. Segundo relatório do USDA divulgado no dia 3 de maio, juntos, os 18 maiores produtores de milho daquele país plantaram 51% da área prevista para esta temporada, acima dos 39% da média dos últimos cinco anos (2015-2019). Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos Maio/20 e Jul/20 se desvalorizaram 8,58% e 7,51%, a US$ 3,115/bushel (US$ 122,63/t) e a US$ 3,20/bushel (US$ 125,98/t), respectivamente, no dia 30 de abril.



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